Marcado pelo vascaíno Dininho, primeiro gol olímpico do futebol brasileiro completa 100 anos
O primeiro gol olímpico de que se tem notícia no futebol brasileiro completa 100 anos neste sábado, 27 de junho de 2026. Ele foi feito pelo ponta-esquerda Dininho, do Vasco, em uma goleada de 5 a 1 sobre o Vila Isabel pelo returno do Campeonato Carioca.
A informação não é inédita, mas estava "escondida" nos jornais de um século atrás, tendo sido (re)descoberta pelo grupo de pesquisadores vascaínos PesquisaVasco durante a produção do
Almanaque do Vasco.
O gol de Dininho foi marcado faltando de um a dois minutos para o fim da partida, quando o Vasco já vencia por 4 a 1, gols de Paschoal (dois) e Russinho (dois). Naquela época os jogos duravam apenas 80 minutos, divididos em dois tempos de 40 minutos e com 10 minutos de intervalo. O duelo aconteceu no campo da Rua Paysandu, que era onde o Flamengo atuava. Era comum, antes da construção de São Januário, o Vasco mandar seus jogos nos campos dos rivais. O campeão carioca de 1926 foi o São Cristóvão, um ponto à frente do Vasco.
Os registros históricos
Infelizmente não há fotos ou vídeos do gol, mas três jornais descreveram o lance:
Jornal do Brasil -
"Continuou o Vasco a atacar e no ultimo minuto de jogo, Dininho bateu optimamente um corner; Balthazar foi atrapalhado por um seu companheiro e a bola foi ter ás rêdes, sendo assim conquistado o 5°. goal do Vasco."
O Globo -
"Faltavam dois minutos para terminar a peleja e Dininho, batendo um corner, consegue com shoot directo o quinto e ultimo goal, terminando o encontro com o seguinte resultado: Vasco, 5. Villa, 1."
O Imparcial -
" (...) e o quinto, Dininho, proveniente de um corner directo."
Outros periódicos descreveram o gol de forma diferente, o que era comum em uma época em que os cronistas só podiam confiar na visão e na memória para escrever as reportagens. O Jornal do Commercio, por exemplo, chegou a publicar que o gol teria sido marcado por Gonçalves. Porém, a revista Polyanthéa Vascaina, lançada em 1927 e cujo conteúdo foi baseado em informações oficiais do clube (súmulas, relatórios etc), confirma que os gols da partida foram de autoria de Paschoal (dois), Russinho (dois) e Dininho.
Vasco duplamente pioneiro
O Vasco tem, portanto, o pioneirismo de ter marcado os dois primeiros gols olímpicos do futebol brasileiro: o primeiro por Dininho, em 27 de junho de 1926; e o segundo por Sant'Anna, em 31 de março de 1928, no amistoso que inaugurou os refletores de São Januário, contra o Montevideo Wanderers, do Uruguai.
Quem foi Dininho?
Bernardino Granado Coutinho nasceu em 10 de fevereiro de 1906 no Rio de Janeiro. Foi atacante do Vasco, do Bangu, da Portuguesa-RJ e do Ypiranga-SP. Pelo Vasco, atuou de 1926 a 1927, disputou 31 jogos, marcou 8 gols e conquistou o título do Torneio Início de 1926. Teve uma carreira bem mais longa no Bangu, onde assinalou 51 gols em 283 jogos. Faleceu em 4 de julho de 1986, aos 80 anos.
Ficha técnica
VASCO 5 X 1 VILA ISABEL
Competição: Campeonato Carioca
Data: 27 de junho de 1926 (domingo)
Local: Campo do Paysandu (Rio de Janeiro)
Árbitro: Alexandre Zacharias de Assumpção
Gols: Ismael 5/1T (VIL), Paschoal 20/1T (VAS), Russinho 30/1T (VAS), Russinho 33/2T (VAS), Paschoal 35/2T (VAS), Dininho (olímpico) 39/2T (VAS)
VASCO: Nelson; Sá Pinto e Italia; Nesi, Bolão e Arthur; Paschoal, Torterolli, Russinho, Gonçalves e Dininho. Técnico: Ramón Platero.
VILA ISABEL: Balthazar; Jobel e Waldemar; Sebastião, Sylvio e Moysés; Bonitinho, Ismael, Mintho, Thuler e Fernandes.
Por que "gol olímpico"?
Os gols marcados em cobrança de escanteio só passaram a valer em 1924, após uma decisão da International Football Association Board (IFAB), órgão que define as regras do futebol. Em 2 de outubro daquele ano, a Argentina fez um gol desse tipo contra o Uruguai e, para ironizar os então campeões olímpicos, o chamou de "gol olímpico".
Agradecimentos a Carlos Molinari, Henrique Hübner e Mauro Prais.
Fonte: NETVASCO (texto), Jornal do Brasil/Acervo Biblioteca Nacional (foto), Revista Polyanthéa Vascaina/Acervo Digital do Centro de Memória do CRVG (foto), Revista O Malho/Acervo Biblioteca Nacional (foto), Acervo Bangu Atlético Clube (foto)