Vasco acusa contradições da dupla Fla-Flu em ação na Justiça pelo Maracanã
Sexta-feira, 02/10/2026 - 09:01


O Vasco ingressou ontem com uma ação na Justiça para mandar a semifinal da Copa Sul-Americana, no dia 20 de outubro, contra o Boca Juniors, no Maracanã. E boa parte da tese jurídica da defesa vascaína foi apontar supostas contradições nos argumentos do consórcio do estádio — administrado pela dupla Fla-Flu — para vetar o pedido formal do Cruzmaltino.

O UOL teve acesso à petição e traz abaixo um resumo do que os advogados do clube utilizaram como argumentos para tentar convencer a Justiça a liberar o Maracanã contra os argentinos.

Intervalos menores de jogos são utilizados como exemplo

Na petição, o Vasco aponta que o intervalo entre partidas — usado como justificativa para negar o estádio — seria maior do que o tolerado em sequências de jogos de Flamengo e Fluminense.

Na negativa do consórcio, há o apontamento aos jogos entre Fluminense e Santos, pelo Brasileiro, no dia 18 de outubro; e Flamengo e Estudiantes, pela Libertadores, no dia 22. A partida entre Vasco e Boca está marcada para o dia 20, o que configura um intervalo de 48 horas entre elas.

Na ação, o Cruzmaltino cita sequências ocorridas em maio nas quais o Maracanã recebeu partidas em dias consecutivos, com apenas 24 horas entre dois dos confrontos.

(...) A proximidade entre os jogos, isoladamente considerada, não oferece explicação coerente para a recusa, quando sequências de igual número de partidas, distribuídas em menor tempo total, foram acolhidas para Flamengo e Fluminense.

Troca de gramado vira argumento

Na ocasião do veto, a concessionária argumentou a negativa como técnica em função da preservação do gramado.

O Vasco, por sua vez, utilizou as ações do próprio estádio para apontar uma suposta incoerência.

O Cruzmaltino, por exemplo, anexou documentos da Greenleaf — empresa que cuida do gramado — para identificar procedimentos que ela própria já informou utilizar para preservar o campo em intervalo de jogos, citando cronogramas.

O Vasco também ressalta a troca completa de gramado feita pelo Maracanã na última segunda-feira, após a partida da NFL.

Com isso, a conclusão do clube é de que as justificativas técnicas utilizadas pela consórcio para negar o estádio perderam a validade pois foram baseadas nas condições de desgaste da grama antiga.

(...) Essa renovação altera a própria premissa material da negativa, pois tanto as reclamações sobre a qualidade do piso quanto as referências ao desgaste acumulado ao longo do inverno dizem respeito ao campo que está sendo substituído.

Vasco cita NFL, shows e eventos religiosos no Maracanã

O Vasco tenta convencer a Justiça sobre uma suposta incoerência do consórcio da dupla Fla-Flu ao utilizar o argumento de preservação do gramado ao mesmo tempo que tem realizados shows, eventos religiosos e uma partida da NFL.

Foram citados nominalmente sete eventos entre abril de 2025 e setembro de 2026:

18/04/2025 -- Família ao Pé da Cruz -- encontro religioso
06/09/2025 -- Juntas Conference -- encontro religioso
11/10/2025 -- Sorriso Maroto - As Antigas -- show musical
03/01/2026 -- Henrique & Juliano - Manifesto Musical -- show musical
03/04/2026 -- Família ao Pé da Cruz -- encontro religioso
06/06/2026 -- O Maior Encontro do Samba -- show musical
27/09/2026 -- NFL Rio Game, com apresentações de Pedro Sampaio e Ricky Martin.

Ou seja, a CONCESSIONÁRIA admite a ocupação da área do gramado por palco, estruturas e público para um espetáculo musical, mas invoca a preservação desse campo para impedir uma semifinal da CONMEBOL.

Impedimento de São Januário é citado

Outro argumento utilizado pelo Vasco na já corriqueira batalha judicial para utilizar o Maracanã é o impedimento de utilizar São Januário para a partida contra o Boca Juniors em função do regulamento da Conmebol, que prevê um estádio com capacidade mínima de 30 mil pessoas a partir da semifinal da Sul-Americana.

O Vasco sustenta que o desejo pelo Maracanã não é apenas uma preferência por um estádio maior, mas uma alternativa dentro do Rio de Janeiro que atenda às exigências da entidade.

Neste ponto, o clube ainda faz uma observação sobre o Nilton Santos.

Vasco diz que dupla Fla-Flu não reconhece acordo, mas já o citou em seu benefício

A polêmica sobre o Memorando de Entendimento também foi citada. Vasco, Flamengo e Fluminense haviam feito um acordo para o Cruzmaltino utilizar o Maracanã em quatro datas de 2026 além dos clássicos entre as equipes.

Porém, nas negativas recentes, o consórcio alegou não ter assinado o documento.

O Vasco, por sua vez, rebate alegando que Flamengo e Fluminense assinaram, e que por serem os gestores, já são suficientes para validar o acordo.

Vasco pede urgência

Na ação, o Vasco pede uma tutela de urgência, que nada mais é do que uma resposta rápida uma vez que o clube tem até o dia 5 para apontar à Conmebol o estádio do Rio de Janeiro em que realizará a partida.

Fonte: UOL